Escala de Autoeficácia Sexual Feminina (EASF) foi construída segundo o modelo trifásico da resposta sexual humana (desejo, excitação e orgasmo) e as disfunções que ocorrem nessa função. Também foi elaborada, segundo a Escala de Autoeficácia Sexual–Função Erétil que utiliza o conceito de autoeficácia de Bandura para avaliar as crenças sobre o desempenho sexual em uma variedade de situações sexuais. A EASF contém 28 afirmativas sobre o comportamento sexual (exemplo, “Obter prazer no contato sexual com o parceiro sem que haja penetração”), nas quais a pessoa deve assinalar na coluna 1 se acredita ser capaz ou não de realizar tal comportamento e quantificar na coluna 2 o grau de certeza de 10 a 100 (10 para “quase sem certeza” e 100 para “certeza absoluta”). Orientada para uso clínico, especificamente para avaliação das disfunções sexuais femininas, pode ser utilizada também para avaliação da evolução do tratamento e avaliação por pares (pela parceria). Dada à condição de ausência de estudos de evidências de validade na literatura com a EASF, a presente pesquisa buscou evidências de validade baseada na estrutura interna da escala. A amostra de conveniência foi composta por 237 mulheres de três locais diferentes, duas universidades e uma clínica de psicologia. As participantes das universidades corresponderam 54%. Para as restantes, todas estavam em processo de psicoterapia e terapia sexual e possuíam queixas de disfunções sexuais. As idades variaram entre 18 a 61 anos (M=29,64; DP=9,11), sobre estado civil, 46% eram casadas, 53% solteiras e 1% divorciadas. No tocante a escolaridade, 91% delas possuíam a partir de ensino superior incompleto. A aplicação foi realizada coletivamente nas universidades e individualmente na clínica, ambas ocorreram em locais apropriados com os cumprimentos éticos exigidos em pesquisa. Os dados coletados foram submetidos à análise fatorial exploratória e precisão. A fatorabilidade foi confirmada pela matriz de correlação, índice de adequação da amostra e teste de esfericidade de Bartlett. A extração por componentes principais com rotação varimax sugeriu seis fatores, entretanto, observou-se itens sem carga ou com carga em dois ou mais fatores. Diante do achado, optou-se em excluí-los e uma nova análise foi empregada. Para essa segunda, quatro fatores foram extraídos capazes de explicar 67,24% da variância, os critérios para extração foram autovalor>1,0, teste visual e a retenção de três itens com cargas iguais ou superiores a 0,4. A consistência interna por alfa Cronbach estimou a precisão da escala em 0,88, os fatores permaneceram entre 0,62 a 0,89. Para os resultados, a escala ficou composta de 19 itens e quatro fatores, a saber, Desejo-Excitação (sete itens); Capacidade de Penetração (cinco itens); Prazer Solitário (quatro itens) e Assertividade Sexual (três itens). As dimensões encontradas fornecem evidências de validade baseada na estrutura interna para o instrumento, segundo as descrições na literatura do modelo trifásico da resposta sexual. Espera-se que o novo formato da escala não somente cumpra os critérios psicométricos exigidos para um instrumento de medida, mas também possa auxiliar profissionais ligados à área da sexualidade na avaliação de pacientes, principalmente com queixas de disfunções sexuais.

 

Título: Evidências de validade baseadas na estrutura interna da Escala de Autoeficácia Sexual Feminina
Autores: Ítor Finotelli Jr.; Oswaldo Martins Rodrigues Jr.; Diego Henrique Viviani; Marilandes Ribeiro Braga; Moara Carvalho

Palavras-Chave: autoeficácia sexual; sexualidade feminina; disfunções sexuais; instrumentos de medida; evidências de validade

Categoria: Trabalhos publicados em eventos científicos

 

Referência: Finotelli Jr., I., Rodrigues Jr., O. M., Viviani, D. H., Braga, M. R., & Carvalho, M. (2010). Evidências de validade baseadas na estrutura interna da Escala de Autoeficácia Sexual Feminina. Trabalho apresentado no XIV Congreso Latinoamericano de Análisisy Modificación del Comportamiento. Revista Terapia Sexual, Jundiaí, 93-94. 


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