Comparar as percepções dos parceiros no desempenho de comportamentos sexuais é uma importante tarefa que permite compreender as diferenças do casal sobre a existência e vivência de problemas sexuais. Há muito se discute nessas comparações as influências de variáveis como o tempo de relacionamento e a existência de uma disfunção sexual. O presente estudo avaliou a precisão na avaliação da autoeficácia sexual masculina e feminina em homens e mulheres com queixas sexuais, baseada nas respostas de suas parcerias. Compuseram a amostra 40 casais atendidos em clínica particular de psicoterapia localizada no município de São Paulo. Dentre eles, 51% dos homens e 14% das mulheres possuíam queixas de disfunção sexual, para o restante, ambos possuíam queixas de disfunções, sem predominância quanto ao tipo. A média de idade dos participantes foi de 36 anos para os homens e 34 anos para as mulheres.  No tocante ao tempo de relacionamento, 34% tinham até 4 anos, 46% entre 4 a 9 anos e 30% mais de 10 anos. Os instrumentos utilizados foram a Escala de Autoeficácia Sexual-Função Erétil (SSES-E) e a Escala de Autoeficácia Sexual Feminina (SSES-F), aplicados individualmente no atendimento inicial em local apropriado com os cumprimentos éticos exigidos em pesquisa. A SSES-E é composta por 25 itens que utilizam o conceito de autoeficácia para mensurar as crenças masculinas acerca de sua capacidade na realização de comportamentos sexuais. Utiliza nível de medida escalar que varia entre 10 e 100 pontos e o escore total é obtido pela média das respostas nos itens, segundo o grau de confiança. Com ela, é possível obter também o escore por dimensões denominadas de Obtenção e Manutenção da Ereção. Já para a SSES-F, sua composição é de 28 itens que avaliam as mesmas crenças, porém na capacidade de realização de comportamentos sexuais femininos. Ela utiliza o mesmo nível de medida escalar, dividida em quatro dimensões, a saber, Desejo-Excitação, Capacidade de Penetração, Prazer Solitário e Assertividade Sexual. Os resultados apresentaram índice significativo de 0,33 na precisão, segundo respostas dos casais na avaliação da autoeficácia sexual masculina e 0,46 para autoeficácia feminina. Quando avaliado por itens, o índice foi estimado em 72% deles, variando em 0,25 a 0,52 para autoeficácia masculina e 75% deles, variando em 0,24 a 0,57 na autoeficácia feminina. Houve um aumento na precisão na avaliação da SSES-E em condições que somente o homem possuía disfunções sexuais ou casal e/ou com tempo relacionamento entre 4 e 8 anos. Para a SSES-F, esse aumento ocorreu também quando o homem possuía disfunções ou casal, variando entre o tempo de relacionamento e segundo cada dimensão. Consideram-se os índices encontrados entre baixo e mediano, além de significativos a 0,05 e 0,01. Alerta-se que a percepção do funcionamento sexual, segundo esses resultados, variou segundo as dimensões dos instrumentos, o tempo de relacionamento e quando as disfunções sexuais ocorrem no homem ou em ambos. Tais índices revelaram importantes achados na avaliação por pares da autoeficácia sexual masculina e feminina, devendo ser considerados em futuras pesquisas e/ou avaliações clínicas.

 

Título: Percepção de disfunção sexual em casais

Autores: Ítor Finotelli Jr.; Oswaldo Martins Rodrigues Jr; Diego Henrique Viviani

Palavras-Chave: autoeficácia sexual; parceria sexual; disfunções sexuais; psicoterapia sexual 

Categoria: Trabalhos publicados em eventos científicos

 

Referência: Finotelli Jr., I., Rodrigues Jr., O. M., & Viviani, D. H. (2012). Percepção de disfunção sexual em casais. Trabalho apresentado no I Encontro Brasileiro de Análise do Comportamento e Terapia Congnitivo-Comportamental de Casais. Livro de Trabalhos e Resumos do I Encontro Brasileiro de Análise do Comportamento e Terapia Congnitivo-Comportamental de Casais, São Paulo, 12-13.


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